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Explore as histórias e conversas. Podcast sobre propósito, autoconhecimento e a busca de sentido.

22 episódios encontrados

Leitura especial: mãe e filha
#22
T2

Leitura especial: mãe e filha

Sobre invisibilidade, ciclos da vida e o superpoder de enxergar quem o mundo esquece

Há um ano, a Liz pediu para gravar um episódio. Desta vez, ela voltou com livro na mão, chá gelado e uma opinião muito formada sobre qual livro seria. Paula havia escolhido um sobre felicidade. A Liz não gostou da escolha. E Paula, como toda boa anfitriã, respeitou a convidada. Nesse episódio especial, Paula Consoni e Liz, agora com sete anos, leem juntas Os Invisíveis, de Tino Freitas e Odilon Moraes, um livro brasileiro todo em preto e branco que conta a história de um menino com um superpoder: ele conseguia ver as pessoas que o mundo tornava invisíveis. A mulher da limpeza, quem dorme no banco da praça, quem atende no trabalho e ninguém nota. E, num certo momento, ele mesmo. A leitura é conduzida pela Liz tanto quanto pela Paula. São ela quem nomeia os invisíveis de cada página, quem percebe que a criança se sente invisível quando os pais não olham nos olhos, quem entende que o cachorro foi pro céu, e quem chega, no final, à conclusão mais bonita de todas: que o menino envelheceu e virou invisível, e que uma menina com o mesmo superpoder foi até ele. O que o livro toca vai além da crítica social que Paula anuncia. Passa pelo ciclo da vida inteiro, infância, faculdade, amor, filhos, velhice, morte, e pelo quanto a empatia que a gente tinha quando criança vai sendo empurrada para o canto com o tempo. Paula encerra pensando em voz alta que talvez as crianças ainda tenham esse superpoder justamente porque ainda não aprenderam a não ver. E que vale a pena, de vez em quando, deixar que elas nos ensinem de volta.

Imaginar é um ato de esperança
#21
T2

Imaginar é um ato de esperança

Como cultivar esperança, pertencimento e amizades que duram a vida toda

Tem algo que a gente vai perdendo devagar, sem perceber. Não é a energia, não é o tempo. É a capacidade de imaginar futuros que ainda não existem. De se permitir sonhar algo que não está no roteiro do que já foi feito. Nesse episódio que inaugura a segunda temporada do Garimpando Sentido, Paula recebe a amiga Francisca Limberger para uma conversa que começa nas amizades femininas e vai longe. Fran é sócia da Acora Design, consultoria estratégica de sustentabilidade para o setor têxtil e da moda, facilitadora de processos criativos e estudiosa de design de futuros. Mas além de tudo isso, ela é uma mulher que cultiva redes com generosidade, que viaja com curiosidade genuína e que pensa o mundo com uma leveza que não esconde profundidade. A conversa passa pela infância nos anos 90, quando cultivar amizades femininas não era estimulado, e chega até o presente distópico que vivemos, onde reagir ao dia a dia deixa pouco espaço para imaginar. Fran provoca: e se a gente tentasse imaginar comportamentos diferentes, e não só tecnologias novas? E se o próximo passo fosse olhar para dentro antes de olhar para o futuro? O que fica depois dessa conversa é uma lembrança gentil de que manter amizades é exercício constante. Que viajar com curiosidade é uma forma de expandir o repertório de mundos possíveis. E que imaginar, hoje, pode ser o ato mais político e mais humano que existe. Deixa esse episódio te dar um pouco de fôlego. A segunda temporada começa com esperança.

Quando se sentir ridícula é o caminho certo
#20
T1

Quando se sentir ridícula é o caminho certo

O que aprendemos quando escolhemos continuar mesmo com medo de parecer ridículas

Tem uma frase que Paula encontrou num caderno, escrita lá no começo de tudo: se você está se sentindo ridícula, possivelmente esse é o caminho certo, por aqui que você deveria seguir. Nesse episódio, Paula grava sozinha para fechar o ciclo da primeira temporada do Garimpando Sentido. Sem convidadas, sem roteiro estruturado, com um lencinho do lado e a câmera ligada num lugar onde ela nunca tinha estado antes. É um episódio de agradecimento, de memória e de honestidade sobre o que foi construir algo do zero enquanto a vida seguia, o trabalho pesava e os diabinhos da cabeça tentavam convencer que não era hora, que não estava bom o suficiente, que talvez não fizesse sentido. Ao longo do episódio, Paula conta como foi a troca de nome, do lançamento no susto numa tarde difícil, dos números que surpreenderam, dos episódios que a fizeram chorar, das famílias que foram ver, das mensagens que chegaram e mudaram o dia. Ela fala sobre economia da atenção, sobre o que entende como sucesso e sobre uma leitora de tarô que fez a pergunta certa muito antes de o podcast existir: "O que você vai considerar dar certo ou errado com esse projeto?" Se você ficou aqui em algum momento da primeira temporada, esse episódio é pra você. Se acabou de chegar, que seja um convite para garimpar junto.

História de um canto: queijo e propósito no Pampa
#19
T1

História de um canto: queijo e propósito no Pampa

Como largar a vida urbana e encontrar propósito no retorno às origens

O que o queijo ensina? Às vezes, ensina mais sobre a vida do que sobre negócios. Ensina sobre tempo, sobre aceitação e sobre deixar a natureza conduzir caminhos. Nesse episódio, Paula Consoni recebe Mariana Rosa e Paulo Ceratti, da Canto Queijaria, para uma conversa que começa numa crise existencial de dois jovens bem estabelecidos nas suas carreiras e chega num Pampa gaúcho, numa tríplice fronteira entre Brasil, Uruguai e Argentina, onde um casal aprendeu que respeitar o tempo do queijo é respeitar o tempo da vida. Mari era estilista, trabalhava para grandes redes de varejo, viajava para a China e a Índia desenvolvendo produtos a custo baixo para distribuir em escala. Paulo estava no marketing de shopping center, cujo objetivo, como ele mesmo diz, era levar todo mundo para dentro de uma caixa. Em 2014, os dois pediram afastamento sem remuneração, venderam o carro e foram para Nova York. Foram pensando que a resposta ainda estava na moda. Voltaram sabendo que estava no artesanal, talvez no campo. Em Nova York, descobriram feiras de produtores artesanais jovens que haviam saído de carreiras tradicionais para pequenas propriedades e faziam iogurtes, vinhos, cervejas, queijos. Era o espelho daquilo que ainda não sabiam que queriam. Paulo voltou para a terra da família, em Uruguaiana. Mari voltou para as raízes que nem sabia que tinha. O que o episódio toca vai além da mudança de vida. É sobre o que acontece quando você escolhe não controlar. O aragano, um dos queijos da Canto, vira dois queijos completamente diferentes dependendo da estação: azul e firme no verão, branco e cremoso no inverno. Mari, perfeccionista por natureza, aprendeu com ele a relaxar, a respeitar os espaços e os tempos, a aceitar que as coisas não são iguais o tempo inteiro. É um episódio pra quem já pensou em largar tudo. E também pra quem nunca pensou, mas vive com aquela sensação de que algo precisa mudar de lugar.

Luto perinatal: buscando sentido na perda
#18
T1

Luto perinatal: buscando sentido na perda

Como atravessar a perda gestacional e encontrar espaço para um luto invisível

Tem uma dor que o mundo quase não vê. Não tem funeral conhecido, não tem ritual estabelecido, não tem palavra pronta. É a dor de perder alguém que ainda não tinha nome para os outros, mas já tinha nome dentro de você. Nesse episódio, Paula Consoni recebe a terapeuta de luto Tamires Prado, que viveu o luto perinatal e neonatal, e a fisioterapeuta pélvica Thaís Duarte, que há quatro anos integra uma formação para doulas da morte, para conversar sobre o que quase ninguém sabe nomear: o luto perinatal. Uma dor que existe antes de existir para o mundo. Uma ausência que pede presença. A conversa começa no tabu e vai fundo. Por que é tão difícil falar sobre morte no cotidiano? O que isso custa para quem precisa ser ouvida num momento de perda? Tamires e Thaís falam sobre a logoterapia de Frankl, sobre a política nacional de humanização do luto materno aprovada em 2025, sobre as caixas de memória que guardam pulseirinhas, carimbo de pezinho, uma toquinha. Pequenos objetos que dizem: esse ser existiu. Essa dor é real. E há algo que Tamires traz de dentro, com uma generosidade que para: a ideia de que a filha que perdeu não veio para transformá-la, mas veio pronta para a própria missão. Tirar o ego do centro da perda. Deixar o outro existir por si mesmo, mesmo que brevemente. A questão maior que o episódio levanta não é como superar o luto, mas como aprender a habitá-lo. Como a sociedade, as famílias, os profissionais de saúde, podem aprender a estar presentes sem despachar a dor com frases prontas. Às vezes, o que salva é apenas o silêncio de quem não foge. Se você passou por isso, talvez esse episódio te alcance num lugar que poucos chegaram. Se você nunca passou, talvez te prepare para estar ao lado de alguém que um dia vai precisar que você fique.

Arte e Escuta: transformando sentidos
#17
T1

Arte e Escuta: transformando sentidos

Como a arte funciona como gesto de escuta e transformação interior

Quando a tinta escorre e você não controla para onde vai, existe uma escolha: parar ou dar sentido ao escorrido. É nesse instante exato que começa a arte. Nesse episódio, Paula Consoni recebe Alexandra Favero, diretora criativa da Tambor e pesquisadora de estéticas e narrativas, e Giovanna Chaves, artista visual e muralista, as mesmas responsáveis pelas duas telas que emolduram o cenário do Garimpando Sentido. Uma conversa que começa na materialidade da tinta e chega num lugar muito maior: o que o corpo pede quando para de fingir que não sente. Alexandra conta como foi de grandes marcas e pesquisas corporativas até a argila e as placas de denúncia: uma expansão que veio do excesso de escutas que o corpo já não conseguia guardar. Aos 40 anos, ela chegou ao fazer artístico não como mudança de carreira, mas como transbordamento. O corpo pediu antes que a cabeça entendesse. Giovanna fala de murais pelo Brasil, de misturar bordado e tinta, de aprender que a técnica existe para ser esquecida depois que você a domina. Que a tinta que escorre sem controle não é erro, é o material falando. E Paula lembra de quando dançava flamenco aos 13 anos e a professora dizia: quando tu esquecer a coreografia, é que tu vai começar a dançar. As três chegam a um ponto em comum que nunca é dito diretamente, mas atravessa a conversa inteira: a gente vive num tempo que sequestrou o corpo. Que transformou o sentir em problema a resolver, o tempo livre em culpa, o fazer inútil em desperdício. A arte aparece aqui não como talento ou vocação, mas como um ato de resistência silenciosa. Uma forma de dizer, com tinta ou argila ou bordado, que ainda existe algo dentro que não cabe na planilha. O que atravessa tudo é uma pergunta simples que a conversa não para de fazer de formas diferentes: o que o teu corpo está pedindo? Não o que o mercado quer, não o que seria mais útil. O que está pedindo pra sair. A arte não precisa ser para todos. Mas a escuta, essa sim, é urgente para qualquer um.

IA, Filosofia e Emoção: o que nos torna humanos
#16
T1

IA, Filosofia e Emoção: o que nos torna humanos

O que a inteligência artificial revela sobre emoções, ética e o que nos torna humanos

Imagina que você está preso num elevador por uma hora e meia. Com quem você quer estar? Sobre o que você quer conversar? Foi a partir desse exercício que Paula chegou nesse episódio. O convidado é Tomaz Lago, arquiteto de dados e líder de tecnologia, também curioso leitor voraz e apaixonado por música e filosofia. Juntos, eles entram numa conversa que não tem resposta pronta, e é justamente por isso que ela vale tanto. O episódio passa por muitas camadas: a solidão digital e os aplicativos de companhia que usam manipulação emocional para manter o engajamento, os algoritmos que demitem bons professores, os vieses raciais dos modelos generativos. E, ao mesmo tempo, os diagnósticos de câncer feitos com mais precisão, os erros médicos evitados, as ferramentas que de fato aceleram e liberam. Mas há dois momentos que ficam. O primeiro é de Tomaz: ele não quer uma IA que toque música por ele, que escreva as letras que ele gostaria de escrever, que faça o que ele ama fazer. Quer uma IA que lave a louça. A frase parece simples. Não é. O segundo é de Paula: uma professora universitária pediu ao ChatGPT que escrevesse seu discurso de formatura. O discurso foi perfeito. As pessoas choraram. E ela entrou em depressão, porque percebeu que havia entregado para uma ferramenta exatamente o que era mais humano nela, aquele momento singular de se haver com seus próprios sentimentos e colocá-los em palavras. A conversa não cai na polarização fácil de "IA é o futuro" ou "IA é o fim". Ela tenta fazer o que a filosofia sempre fez: alimentar o pensar sem prometer uma resposta. O que fica é uma questão que cada pessoa vai ter que responder por si mesma: o que é só para as máquinas e o que é irredutivelmente nosso?

Estudar pra quê?
#15
T1

Estudar pra quê?

Por que estudar ainda importa e o que a escola tem a ver com descobrir o mundo

Uma música de 2005 já perguntava: estudar pra quê? Quem tem computador nem precisa de estudo. A música era do Pato Fu. Parecia irônica então. Hoje, no tempo das LLMS, ChatGPT e afins, parece mais urgente do que nunca. Nesse episódio, Paula Consoni recebe Isabella Sander, repórter da editoria de educação da Zero Hora, jornalista com mais de dez anos cobrindo escola, professores, evasão, políticas públicas e as rupturas que a polarização jogou dentro das salas de aula. Uma conversa que começa na pergunta do título e não tem resposta fácil, porque a pergunta nunca foi tão real. A conversa passa pela polarização que chegou às salas de aula com escola sem partido, ensino domiciliar e filmagens de professores. Pelo impacto das enchentes no Rio Grande do Sul sobre uma evasão escolar que já era grave antes da água chegar. E por um dado que para: a maior influência para uma criança seguir estudando é a escolaridade da mãe. Não a renda, não a escola. A mãe. Isabella também conta sobre uma pesquisadora de Stanford que fez uma plateia inteira resolver cinco vezes dezoito de formas completamente diferentes, só para mostrar que o mais importante não é a resposta, é entender como cada cérebro chega até ela. Que o erro em matemática não deve ser evitado, mas valorizado. Que a escola celebra acertos quando deveria celebrar o processo. Paula lembra da teoria da antifragilidade de Nassim Taleb: o músculo cresce a partir das microlesões. O cérebro também. E passa por algo mais íntimo: a filha de Paula, com sete anos, que olha para a mãe e diz com convicção que criança não tem obrigação, tem de brincar. E que a mãe, sem resposta pronta, tenta despertar curiosidade em vez de impor dever. Porque a pergunta de Pato Fu não tem uma resposta. Tem uma prática. O episódio não resolve a pergunta. Mas vai fundo nela. E isso, talvez, já seja uma resposta.

O sujeito moda: aparência, poder e história
#14
T1

O sujeito moda: aparência, poder e história

Como o que vestimos revela quem somos e o que a moda tem a ver com poder

Antes de qualquer palestra, antes do diploma, antes de se sentir a vontade para falar em público, Paula teve uma professora que acreditou que ela conseguia. E que deu espaço, palco e emprestou o microfone quando foi preciso. Nesse episódio, Paula Consoni reencontra a doutora Mara Rúbia Sant'Anna, historiadora, professora da UDESC, orientadora de Paula na graduação em Moda e a pessoa que, segundo ela, mudou sua história. Uma conversa que começa no que a roupa diz antes de qualquer palavra e chega até as escolas profissionais femininas de Santa Catarina, onde mulheres da lavoura aprendiam corte e costura à noite e encontravam, naquele espaço coletivo, algo que ninguém havia nomeado ainda: uma subjetividade própria. A pesquisa da Mara sobre essas escolas, que funcionaram até os anos 2000 em Santa Catarina, é ao mesmo tempo história e arqueologia de silêncios. Mulheres de 60, 70, 80 anos sendo entrevistadas pela primeira vez sobre o que aquele espaço significou. A descoberta de que o estado fechou as escolas sem consultar ninguém. E a fala de uma senhora de 94 anos dizendo, com clareza, que foi uma injustiça. O episódio transita entre o Brasil Império, o Dom Pedro que se vestia de penas indígenas para se empoderar como imperador tropical, e as Havaianas na semana de moda de Copenhague. Entre a aparência como performance de poder e a aparência como apagamento de si. Entre o que a moda estuda e o que a moda revela. Fica a pergunta que Mara deixa no ar: quando alguém se anula tanto em nome de pertencer, o que resta de pessoa naquilo que ela veste?

Mãe de Bebê: o que não te contam
#13
T1

Mãe de Bebê: o que não te contam

O que ninguém conta sobre ser mãe de bebê e como atravessar essa fase com mais honestidade

Existe uma versão da maternidade que ninguém coloca no álbum de fotos. A versão da madrugada que não acaba, do cheiro azedo no cabelo, do nojo que se mistura com amor, da mulher que fica imóvel num colo de posição ridícula porque o bebê só dorme assim. A versão real. Nesse episódio, Paula Consoni recebe Ana Gabriela Marin, diretora de marketing, mãe da Antonella e a responsável por procurar Paula depois de ouvir o episódio sobre amor e ódio, dizendo que tinha muito mais a falar sobre isso. Com ela, também Mariane Hartmann, psicóloga especializada em psicoterapia de orientação analítica, mestre em psicologia social e institucional, mãe de dois meninos e estudiosa das relações entre pais e bebês. Uma conversa que começa na honestidade e não para mais. A conversa passa por conceitos que jogam luz em coisas que muitas mães sentem sem conseguir nomear: o narcisismo dos pais, o filho imaginado que chega antes do filho real, e o quanto essa diferença entre o bebê idealizado e o bebê que existe pode gerar uma sensação de não ter espaço, de não estar pronta, de estar falhando sem saber bem em quê. Ana Gabriela conta da gravidez não planejada, dos 18 quilos, da depressão gestacional, de não ter conseguido arrumar o quarto da filha até as 38 semanas. E conta também como foi encontrando o caminho: elogiando o marido mesmo quando a fralda vazou, abraçando o caos do sono, se nutrido de outras mães que diziam, eu já passei por isso, vai passar. O que o episódio toca de maior não é a maternidade em si. É a cultura que envolve a maternidade: a que coloca tudo na mãe, que ignora a mulher no leito hospitalar para perguntar se o bebê já fez cocô, que não permite que ela diga em voz alta que foi muito difícil sem sentir culpa por isso. Ser mãe de bebê é exaustivo e transformador ao mesmo tempo. E às vezes, saber que outras mulheres também sentiram isso já basta para a noite ficar um pouco mais curta.

Beleza com propósito: o primeiro salão B do Brasil
#12
T1

Beleza com propósito: o primeiro salão B do Brasil

Como construir um negócio com propósito, selo B e 26 mulheres empregadas no mercado da beleza

Em plena pandemia, quando tudo fechou e o mundo parecia ter parado, duas amigas de infância decidiram abrir um salão de beleza. Não qualquer salão: o primeiro com o Certificado B do Brasil. Uma escolha que começa com amizade, passa por coragem e chega num modelo de negócio que cuida de quem trabalha, de quem atende e do planeta. Nesse episódio, Paula Consoni recebe Carolina Frozza, cofundadora do Meu Salão e do Meu Spa, em Florianópolis, para uma conversa sobre empreendedorismo feminino, sustentabilidade real e o quanto um negócio que tem propósito pode transformar vidas, incluindo as das 26 mulheres que formam a equipe. A conversa começa pela origem improvável: Carol formada em Relações Internacionais, com passagem pela IBM, trabalhando numa empresa com Certificado B quando a pandemia interrompeu tudo. Uma amiga liga, convida para um negócio que abriu e fechou no mesmo mês. Ela aceita. Dois meses depois, sem nenhuma briga, sem nenhum desentendimento, Carol entende que vai dar certo. Mas o episódio vai além do empreendedorismo. Fala sobre o preconceito sutil que duas mulheres jovens enfrentam ao falar de negócios com fornecedores. Sobre os fornecedores carecas vendendo produto para cabelo numa indústria majoritariamente feminina. Sobre a solidão de empreender sem ter com quem dividir as dores. Sobre a dificuldade de negócios do mesmo setor se conectarem com menos rivalidade e mais generosidade. E fala também sobre o que um negócio com propósito faz com quem trabalha nele: a manicure que pela primeira vez sentiu que a sua profissão era valorizada, que tinha dignidade, que poderia sonhar com uma viagem com as amigas no fim do ano. Paula e Carol chegam juntas a uma ideia que atravessa o episódio: escolher os nãos certos é o que permite que os sins sejam poderosos. Não atender todo mundo é o que faz com que as pessoas certas fiquem, se sintam em casa, e voltem. Um episódio para quem empreende, para quem pensa sobre o que consome e para quem acredita que cuidado, quando feito com intenção, é também um ato político.

Colaborar é a única solução
#11
T1

Colaborar é a única solução

O que torna a colaboração genuína e por que ela é indispensável em qualquer relação

Existe uma versão de colaboração que não é colaboração. É a versão do líder que abre reunião para ouvir as pessoas, mas já chegou com a resposta na cabeça. Que sorri enquanto escuta e descarta enquanto age. Que usa a empatia como palavra e não como prática. Essa versão, dizem as convidadas desse episódio, as pessoas sempre percebem. Talvez não no momento, mas percebem. Nesse episódio, Paula Consoni recebe Luciane Patrício, mentora de carreira para mulheres e líder de RH, e Semadar Marques, escritora, palestrante e autora do livro Colaboração: a única solução, para uma conversa que atravessa o trabalho, as equipes, as gerações e chega, inevitavelmente, nas relações mais próximas: filhos, amizades, o cotidiano. A conversa começa numa ideia que Semadar carrega desde 2011, quando assumiu uma equipe maior e foi vendo, de forma panorâmica, o quanto as barreiras entre pessoas e entre áreas destruíam não só o trabalho, mas a saúde mental de todo mundo. De uma primeira palestra sobre empatia que deixou a plateia em choque, ela chegou a um livro que fala de algo maior: a rede, o sentido de comunidade, a ancestralidade dos povos originários como referência de como o coletivo sustenta o individual. O episódio passa pelo choque de gerações no ambiente de trabalho, pelo custo real que as empresas pagam quando não constroem confiança psicológica, e pela diferença entre ouvir de verdade e ouvir para parecer agradável. Também fala do que acontece quando alguém finalmente impõe um limite a um comportamento que todos normalizaram, e do quanto isso pode, surpreendentemente, melhorar uma relação. Mas o que fica de mais universal é mais simples: as pessoas precisam ser ouvidas. Não necessariamente terem suas ideias aprovadas. Não necessariamente verem as coisas mudarem. Apenas serem ouvidas de verdade. Isso, por si só, já alivia. Um episódio para quem lidera ou é liderado, para quem colabora ou quer aprender a colaborar melhor, e para quem já entendeu que nenhuma conquista é completamente individual.

Coragem de Partir
#10
T1

Coragem de Partir

O que acontece quando a gente finalmente escuta o sopro que pede partida

Tem um sonho que a gente aprende a dobrar. Dobra uma vez, guarda numa gaveta, dobra de novo quando a vida pede. Sobrevivência primeiro. O sonho fica esperando, quieto, sem pedir muita atenção. Até que um dia ele volta. Não como grito, mas como sopro. Foi um sopro que trouxe Solange Mendes para a estrada. Depois de décadas como procuradora-geral da República, de criar as filhas sozinha depois de uma separação, de construir uma vida sólida enquanto carregava a memória de um sonho compartilhado com o irmão e com o pai, ambos perdidos num acidente de carro ainda na adolescência, Solange se aposentou, comprou um motorhome e saiu para rodar o mundo. Sozinha. Com piano e tudo. A conversa acontece ao vivo, com Solange em Londrina, onde voltou para visitar o túmulo da mãe que acabara de falecer enquanto ela estava no Uruguai. Uma das primeiras coisas que Solange diz é que tinha prometido para si mesma que não ia fazer aventuras radicais com o motorhome. Já destruiu duas placas solares passando por baixo de árvores. O episódio vai fundo no que significa partir com intenção, e não apenas fugir de algo. Fala sobre a diferença entre viajar dentro de uma bolha e viajar de verdade, sobre as conexões rápidas e profundas que a estrada oferece, sobre o casal que a abordou no interior do Uruguai para apresentar o filho pianista. E fala sobre o que Solange quer devolver para o mundo com essa jornada: não um guia pragmático de custos e destinos, mas reflexões, histórias, a prova de que outro mundo é possível, especialmente para crianças que ainda estão formando o que entendem como possível. Paula fecha com uma ideia bonita: o melhor retorno que alguém pode dar à sociedade, às vezes, é simplesmente ser quem é. Com a própria voz. No próprio ritmo. E Solange responde tocando piano.

Amor e Ódio: abordagem psicanalítica
#9
T1

Amor e Ódio: abordagem psicanalítica

O que a psicanálise revela sobre o amor, o ódio e tudo que a gente carrega sem saber nomear

Camões escreveu sobre o amor como fogo que arde sem se ver. Séculos depois, a psicanálise chegou com uma virada: dentro do amor tem um monte de ódio. E Paula pergunta na abertura do episódio: então, sem ódio, você também nada seria? Nesse episódio, Paula Consoni recebe Antônia Campos, psicóloga, psicanalista e especialista em psicologia hospitalar, membro efetivo do ESIP, onde atua também em docência e supervisão de psicanalistas em formação. Uma amiga querida que Paula chama para a roda com Camões, Freud, Winnicott e a psicanalista Ana Suy, autora bastante citada na conversa do livro "A gente mira no amor e acerta na solidão". A conversa começa na pergunta mais antiga e mais difícil: o que é o amor? Antônia explica que na psicanálise essa definição ainda não foi fechada, e que talvez nunca seja. O que se sabe é que a maior parte das demandas clínicas é, no fundo, uma demanda de amor: ser visto, ser escolhido, ser suficiente. O episódio passa pela ideia de que a completude no amor é impossível, e que a falta não é um problema a resolver, mas o próprio espaço onde o amor acontece. Ana Suy entra com força aqui: ela escreve que a busca por preencher a falta com outra metade é natural, mas impossível, e que é justamente nessa incompletude que o amor se move. Pela paixão como orgasmo do amor: uma delícia que tem que acabar. E pelo momento em que o amor termina e sobra um ódio feroz que sempre esteve ali, camuflado no dia a dia das pequenas reclamações. O que fica é um convite para se autorizar a sentir o que se sente, sem precisar expor tudo para o mundo, mas sem também fingir que não sente. Porque ninguém é obrigado a amar o tempo todo. E ser suficientemente boa, como dizia Winnicott, já é mais do que o suficiente.

As donas do castelo: feminismo e escrita
#8
T1

As donas do castelo: feminismo e escrita

Como a escrita se torna um lugar de resistência e o que significa ser mulher no mundo hoje

Todo dia tem uma duna. Às vezes a duna é o trabalho, a faculdade, o relacionamento. Às vezes a duna é só sair de casa e chegar onde precisa chegar, inteira. As mulheres sabem o que é isso. Nesse episódio, Paula Consoni recebe Mari Carmona e Júlia Lemos, duas mulheres mais jovens que ela, mais articuladas nas palavras, que encontraram na escrita uma forma de nomear o que seria difícil de dizer em voz alta. Uma conversa que começa no feminismo, passa pela Disney, pela objetificação, pelo assédio nos ônibus e nas salas de trabalho, e chega num lugar que Paula esperava chegar desde o começo: o quanto as escolhas individuais afetam o coletivo, sempre. Mari escreve newsletters, leva textos ao mundo quase como quem acende uma vela no escuro, e fica surpresa quando eles encontram outros corações. Júlia trabalha com comunicação interna numa instituição tradicional e carrega no dia a dia o desafio de mudar culturas por dentro, como trabalho de formiguinha. E Paula, que fez faculdade de moda e carregava pacotes num ônibus quando um homem se masturbou encostado nela, conta essa história com uma honestidade que corta porque é simples demais: ela pediu licença ao se levantar. O episódio não tem respostas prontas sobre o que é o feminismo certo, sobre onde está a linha entre liberdade e objetificação, sobre como se educar num mundo ainda muito ocupado em se desconstruir. O que tem é a presença de três mulheres que se ouvem de verdade e que reconhecem, cada uma à sua maneira, o peso de ser mulher todos os dias. E que mesmo assim descem para a próxima duna.

Hobbies: um espaço de experimentação
#7
T1

Hobbies: um espaço de experimentação

O que os hobbies revelam sobre a gente e por que cultivar fazeres sem utilidade é um ato de saúde

Existe uma diferença sutil entre hábito e hobby. Hábito é escovar os dentes, fazer academia, dormir cedo. São coisas que a gente faz porque precisa, porque faz bem, porque estão na lista. Hobby é outra coisa. Hobby é aquilo que cabe na vida quando a vida deixa, e que a gente sente falta quando a vida não deixa. Nesse episódio, Paula Consoni recebe Débora Quirino, estrategista digital no estúdio Ondina, leitora voraz, crocheteira, ex-macramezeira, ex-argila polimérica, ex-lettering, dona de um canal no YouTube sobre livros chamado 52 Livros, e alguém que pensa sobre hobbies com uma profundidade inesperada e completamente dela. Uma conversa que começa na definição do que é um hobby e vai longe, passando por pandemia, ansiedade, ócio, longevidade e a questão que ninguém pergunta quando sugere que você tenha um hobby: mas pra quê? A pandemia aparece aqui como grande catalisador. Débora era uma pessoa da rua, do almoço coletivo, da troca presencial. Quando tudo fechou, ela precisou colocar a inquietude em algum lugar. Vieram o macramê, a argila, o crochê, o lettering, e o canal sobre livros que respira por aparelhos mas ainda vive, porque de vez em quando alguém manda mensagem num grupo perguntando quando vai ter vídeo novo. O episódio toca em algo que vai além dos hobbies: a dificuldade de parar, de não fazer nada, de entender o ócio como parte saudável da vida e não como culpa. Débora fala com honestidade sobre ansiedade, sobre parar de fumar, sobre o marido que dorme às três da manhã enquanto ela acorda cedo no sábado e fica duas horas no sofá assistindo YouTube com café. E Paula, que se define como pessoa de cabeça sempre acelerada, reconhece que talvez o hobby mais necessário seja às vezes simplesmente deixar o tempo passar. Um episódio para quem tem muitos hobbies, para quem não tem nenhum, e especialmente para quem sente culpa por qualquer um dos dois.

Dita Cuja: da Literatura à Saúde Feminina
#6
T1

Dita Cuja: da Literatura à Saúde Feminina

O que acontece quando a vulva ganha voz própria e a saúde feminina sai do silêncio

Tem um livro que começa sem pausas. Nem uma. Porque a narradora estava esperando há muito tempo para falar, e quando finalmente ganhou voz, não ia parar por nada. A narradora é a vulva. O livro é Ditacuja, de Christiane Baladão. E esse episódio começa exatamente aí: no momento em que uma advogada que sempre foi escritora decidiu que já estava na hora de dar a vez e voz ao corpo feminino que durante séculos recebeu apenas silêncio, vergonha ou nomes que não se podem pronunciar em voz alta. Nesse episódio, Paula Consoni recebe Christiane Baladão, advogada, escritora e autora do Ditacuja, e Roniele Sarges, fisioterapeuta pélvica, obstétrica e a doula que esteve ao lado de Paula no parto da Liz. Uma conversa que mistura literatura, anatomia, prazer, ciclo menstrual, assoalho pélvico, anticoncepcionais hormonais e muito bom humor. O tipo de papo que a maioria das mulheres nunca teve na vida, mas deveria ter tido muito mais cedo. A conversa passa pela origem improvável do livro, inspirado em Bukowski e escrito de uma vez só, sem pausa proposital, para causar o mesmo desespero que a vulva sente por não ser ouvida. Pela fisioterapia pélvica que, ao contrário do que muitas pensam, começa ensinando a relaxar antes de fortalecer. Pelas décadas de anticoncepcional hormonal que desconectaram gerações inteiras de mulheres do próprio ciclo. E pela ideia simples, mas radical, de que conhecer o próprio corpo não é espiritualidade nem exagero. É saúde. Paula conta da sua própria experiência na fisioterapia pélvica, quando chegou pensando em fortalecer e saiu com laser. Roni explica por que roubar o treino da colega não funciona para o assoalho pélvico. E Cris lembra das mulheres que chegaram até ela depois de décadas sem nunca ter olhado para si mesmas no espelho. Porque sentar na frente de um espelho e abrir as pernas é, afinal, apenas isso: conhecer o que é seu.

Autenticidade: uma jornada
#5
T1

Autenticidade: uma jornada

O que significa ser autêntica e como a gente aprende a bancar a própria voz no mundo

Tudo já foi dito sobre autenticidade. Tem episódio de podcast, tem livro de autoajuda, tem post motivacional, tem thread no X. Paula quase desistiu do tema antes de apertar o play. Mas chegou num ponto que mudou tudo: tudo já foi dito, mas não com a nossa voz. E cada voz é única. Nesse episódio, Paula Consoni recebe Sandra Ferraz, estilista e empreendedora que vive a vida contando histórias em forma de vestido, amiga de mais de 20 anos, e Lú Borba, personal de estilo e a primeira pessoa que Paula ouviu pronunciar o nome Interessância com entusiasmo genuíno. Três mulheres com muita história, muito repertório e uma curiosidade compartilhada sobre o que significa realmente ser fiel a si mesma, sem romantizar e sem fugir do desconforto que isso exige. A conversa passa por Paulo Leminski e o verso que Paula carrega: isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além. Pelo momento em que Sandra virou a chave no TikTok depois de um vídeo viralizar pelos motivos errados e decidiu parar de atrair quem não era seu público. Pela ideia de que autenticidade não é ausência de máscara, mas sim clareza sobre o que faz sentido para você naquele momento da vida. E pela pergunta que Lú vai propondo ao trabalhar com cada cliente: não como você quer ser vista, mas como você quer se sentir. O episódio não entrega uma fórmula. Entrega algo mais honesto: a autenticidade como processo, como busca constante, como capacidade de recalcular a rota quando o caminho já não faz mais sentido. Com leveza. Sem se martirizar no caminho.

Beleza no Tempo
#4
T1

Beleza no Tempo

Como envelhecer com saúde, autoestima e uma relação mais honesta com a beleza

Paula estava fazendo 40 anos. E o tempo, o envelhecer, começou a atravessá-la de um jeito novo. Não como angústia, mas como uma curiosidade legítima e intensa sobre o que é beleza nessa transformação. Sobre o que é natural de verdade, se o natural vem de natureza e a natureza inclui o envelhecimento. Nesse episódio, Paula Consoni recebe Manoela Porto, médica dermatologista e sócia da clínica Derma 4, em Porto Alegre, para uma conversa que começa na pele e chega bem mais fundo. Uma amiga que divide com Paula a paixão por moda e que no consultório pratica o que prega: só sugere o que o paciente traz como demanda. Sem empurrar, sem estimular o excesso. A conversa passa pela construção cultural do que a gente entende como belo, pelas referências da família, pelos filtros que mudaram a relação das mulheres com o próprio rosto, pela tendência atual da dermatologia de estimular regeneração em vez de correção. E por uma pesquisa da UFRGS que mostrou que quase 80% das meninas entre 7 e 13 anos não se acham bonitas. Esse dado atravessa o episódio inteiro. Porque Paula se lembra de ter respondido que sim, se achava bonita, e ter sido zoada por isso. E de não ter entendido o motivo. E de achar que talvez esse seja o trabalho: devolver para as nossas filhas o direito de olhar no espelho e dizer, sem vergonha, eu sou bonita. Manoela fala sobre o básico que ninguém pratica, filtro solar, hidratação, sono, alimentação, exercício, e sobre como nenhum procedimento resolve o que o olhar interno não consegue. Paula fala do rímel que usa quando precisa defender uma ideia numa reunião difícil. As duas chegam ao mesmo lugar: cuidar-se é um ato de gentileza, não de vaidade. E a diferença entre os dois está em saber para quem você está fazendo isso.

Comunidades: alavancando carreiras
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Comunidades: alavancando carreiras

Como comunidades femininas transformam carreiras e por que pertencimento é estratégia

Toda semana, um grupo de mulheres se reunia para jogar cartas. Cada semana era na casa de uma delas. Era uma boa desculpa para ir ao salão, para organizar a casa, para existir no mundo junto com outras pessoas. A avó da Paula não tinha CPF. Mas tinha comunidade. E talvez isso diga tudo. Nesse episódio, Paula conversa com Thais Sterenberg e Taciana Serafim, duas mulheres que entenderam cedo que crescer acompanhada é mais do que uma estratégia de carreira, é uma forma de ser. Thais é fundadora do Mulheres de Growth, comunidade que reúne líderes de marketing e growth, e da Elephant AI. Taciana lidera o CRO Brasil e carrega na própria trajetória a prova de que uma comunidade pode mudar o rumo de uma carreira. A conversa navega pela diferença entre grupos e comunidades, entre participar e pertencer, entre extrair e oferecer valor. Falam sobre como as comunidades nasceram da falta de conexão na pandemia, sobre como marcas podem se relacionar com esses espaços sem perder a essência, e sobre o que separa quem aproveita uma comunidade de verdade de quem chega querendo só vender. Mas o que fica mais fundo é outra coisa. É a percepção de que comunidade não é novidade, é ancestral. Mulheres sempre souberam disso. Jogando cartas, costurando juntas, criando filhos umas das outras. A forma mudou. O fundo, não. Um episódio para quem quer crescer profissionalmente, sim. Mas também para quem quer lembrar que nenhuma de nós chegou até aqui completamente sozinha.

Leitura especial: mãe e filha
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Leitura especial: mãe e filha

Um momento de leitura compartilhada entre mãe e filha sobre generosidade, paciência e bolo

Tem episódios que a gente planeja. E tem episódios que chegam pela mão de uma criança que simplesmente pergunta se pode participar. A Liz pediu para gravar um episódio com a mãe. Perguntou se precisava ser um assunto sério. Paula disse que não precisava. Ela disse que queria ler um livro. E assim nasceu esse episódio: no cantinho de leitura que a Liz ajudou a decorar, cercada dos livros dela, com uma cadeirinha especial e toda a entrada que uma convidada tão importante merecia. O livro escolhido foi Bem Lá no Alto, de Susanne Strasser, editora Companhia das Letrinhas. A história é simples e perfeita: tem um bolo numa janela bem lá no alto. Tem um urso com fome lá embaixo. Chegam um porco, um cachorro, um coelho, uma galinha, um sapo. Cada um sobe em cima do outro tentando alcançar o bolo. E no fim, a menina da janela, que poderia ter ficado com o bolo só pra ela, abre a porta e oferece para todo mundo. Não há citação da Paula aqui porque o mais bonito desse episódio é o que fica nas entrelinhas: uma mãe que deixa a filha conduzir, que faz perguntas em vez de dar respostas, que anota no caderninho depois porque sim, o caderninho existe e a Liz já sabe disso. O episódio termina com um tchau coletivo, um feliz Páscoa e uma promessa de que a convidada mais especial de todas voltaria algum dia.

Identidade Sonora: a história
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Identidade Sonora: a história

Como nasce a identidade sonora de um podcast e o que o som diz antes de qualquer palavra

Antes de qualquer episódio, antes mesmo de uma palavra falada, existe um som. Ele chega em frações de segundo e já diz alguma coisa, sobre o que vem pela frente, sobre quem convida, sobre o que esperar. A identidade sonora do Garimpando Sentido não foi criada por acaso. Ela foi garimpada. Nesse primeiro episódio, Paula conversa com Lucas Victorino, o produtor, compositor e live performer, sobre o processo de criar a vinheta e a trilha que dão vida ao podcast. Uma conversa que começa no som e termina, inevitavelmente, numa pergunta maior: o que está te fazendo sentir? Lucas traz sua experiência em sound branding, a arte de criar a identidade sonora de marcas como a Natura, para quem viajou até a Amazônia para capturar os pulsos eletromagnéticos de árvores e convertê-los em música. Uma conversa sobre escuta, criação e sobre como a tecnologia pode ser ponte entre o ancestral e o novo. Também falam sobre o que se perde quando a velocidade do mundo não dá tempo para sentir. Sobre músicas tristes que a internet não quer mais. Sobre poesia e síntese. Dar nome a uma ideia exige o mesmo tipo de coragem que dar nome a uma filha. Paula conta como essa responsabilidade foi o que a ensinou a nomear também esse projeto. E como o Garimpando Sentido só existe de verdade quando tem você do outro lado. Um episódio de estreia que é, também, uma declaração de intenções: esse é um espaço onde a gente para, escuta, e se permite ser atravessado por algo. Não é só um convite para ouvir. É um convite para sentir junto.

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