#18Temporada 1

Luto perinatal: buscando sentido na perda

Como atravessar a perda gestacional e encontrar espaço para um luto invisível

com Tamires Prado e Thaís Duarte

Tem uma dor que o mundo quase não vê. Não tem funeral conhecido, não tem ritual estabelecido, não tem palavra pronta. É a dor de perder alguém que ainda não tinha nome para os outros, mas já tinha nome dentro de você.

Nesse episódio, Paula Consoni recebe a terapeuta de luto Tamires Prado, que viveu o luto perinatal e neonatal, e a fisioterapeuta pélvica Thaís Duarte, que há quatro anos integra uma formação para doulas da morte, para conversar sobre o que quase ninguém sabe nomear: o luto perinatal. Uma dor que existe antes de existir para o mundo. Uma ausência que pede presença.

A conversa começa no tabu e vai fundo. Por que é tão difícil falar sobre morte no cotidiano? O que isso custa para quem precisa ser ouvida num momento de perda? Tamires e Thaís falam sobre a logoterapia de Frankl, sobre a política nacional de humanização do luto materno aprovada em 2025, sobre as caixas de memória que guardam pulseirinhas, carimbo de pezinho, uma toquinha. Pequenos objetos que dizem: esse ser existiu. Essa dor é real.

E há algo que Tamires traz de dentro, com uma generosidade que para: a ideia de que a filha que perdeu não veio para transformá-la, mas veio pronta para a própria missão. Tirar o ego do centro da perda. Deixar o outro existir por si mesmo, mesmo que brevemente.

A questão maior que o episódio levanta não é como superar o luto, mas como aprender a habitá-lo. Como a sociedade, as famílias, os profissionais de saúde, podem aprender a estar presentes sem despachar a dor com frases prontas. Às vezes, o que salva é apenas o silêncio de quem não foge.

Se você passou por isso, talvez esse episódio te alcance num lugar que poucos chegaram. Se você nunca passou, talvez te prepare para estar ao lado de alguém que um dia vai precisar que você fique.

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Destaques

"O luto é como estar num quarto branco com todas as gavetas da sua vida caindo em cima de você ao mesmo tempo. Você não sabe por onde começar a bagunça."

Tamires Prado

"Aquele luto nunca vai deixar de existir. Mas a gente consegue crescer e florir e sorrir ao redor dele."

Thaís Duarte

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