Como o que vestimos revela quem somos e o que a moda tem a ver com poder
com Mara Rúbia Sant'Anna
Antes de qualquer palestra, antes do diploma, antes de se sentir a vontade para falar em público, Paula teve uma professora que acreditou que ela conseguia. E que deu espaço, palco e emprestou o microfone quando foi preciso.
Nesse episódio, Paula Consoni reencontra a doutora Mara Rúbia Sant'Anna, historiadora, professora da UDESC, orientadora de Paula na graduação em Moda e a pessoa que, segundo ela, mudou sua história. Uma conversa que começa no que a roupa diz antes de qualquer palavra e chega até as escolas profissionais femininas de Santa Catarina, onde mulheres da lavoura aprendiam corte e costura à noite e encontravam, naquele espaço coletivo, algo que ninguém havia nomeado ainda: uma subjetividade própria.
A pesquisa da Mara sobre essas escolas, que funcionaram até os anos 2000 em Santa Catarina, é ao mesmo tempo história e arqueologia de silêncios. Mulheres de 60, 70, 80 anos sendo entrevistadas pela primeira vez sobre o que aquele espaço significou. A descoberta de que o estado fechou as escolas sem consultar ninguém. E a fala de uma senhora de 94 anos dizendo, com clareza, que foi uma injustiça.
O episódio transita entre o Brasil Império, o Dom Pedro que se vestia de penas indígenas para se empoderar como imperador tropical, e as Havaianas na semana de moda de Copenhague. Entre a aparência como performance de poder e a aparência como apagamento de si. Entre o que a moda estuda e o que a moda revela.
Fica a pergunta que Mara deixa no ar: quando alguém se anula tanto em nome de pertencer, o que resta de pessoa naquilo que ela veste?
"Não é com cartão de crédito que se consegue passagem para determinados nichos. Tem gente que compra tudo e a gente não consegue identificar um humano ali dentro."
Mara Rúbia Sant'Anna
"Quando há troca, há crescimento. Mesmo dentro de uma caixa do que era aceito para as mulheres naquele tempo."
Paula Consoni