O que a inteligência artificial revela sobre emoções, ética e o que nos torna humanos
com Tomaz Lago
Imagina que você está preso num elevador por uma hora e meia. Com quem você quer estar? Sobre o que você quer conversar? Foi a partir desse exercício que Paula chegou nesse episódio.
O convidado é Tomaz Lago, arquiteto de dados e líder de tecnologia, também curioso leitor voraz e apaixonado por música e filosofia. Juntos, eles entram numa conversa que não tem resposta pronta, e é justamente por isso que ela vale tanto.
O episódio passa por muitas camadas: a solidão digital e os aplicativos de companhia que usam manipulação emocional para manter o engajamento, os algoritmos que demitem bons professores, os vieses raciais dos modelos generativos. E, ao mesmo tempo, os diagnósticos de câncer feitos com mais precisão, os erros médicos evitados, as ferramentas que de fato aceleram e liberam.
Mas há dois momentos que ficam. O primeiro é de Tomaz: ele não quer uma IA que toque música por ele, que escreva as letras que ele gostaria de escrever, que faça o que ele ama fazer. Quer uma IA que lave a louça. A frase parece simples. Não é. O segundo é de Paula: uma professora universitária pediu ao ChatGPT que escrevesse seu discurso de formatura. O discurso foi perfeito. As pessoas choraram. E ela entrou em depressão, porque percebeu que havia entregado para uma ferramenta exatamente o que era mais humano nela, aquele momento singular de se haver com seus próprios sentimentos e colocá-los em palavras.
A conversa não cai na polarização fácil de "IA é o futuro" ou "IA é o fim". Ela tenta fazer o que a filosofia sempre fez: alimentar o pensar sem prometer uma resposta.
O que fica é uma questão que cada pessoa vai ter que responder por si mesma: o que é só para as máquinas e o que é irredutivelmente nosso?
"Aprendam a usar a IA, mas também a duvidar. Tenham senso crítico sobre as respostas, porque todos os dados são enviesados de alguma forma."
Tomaz Lago
"Não é a IA que é burra. É a pessoa que pensou nela. Tecnologia é o resultado da nossa capacidade de criar."
Paula Consoni