Sobre invisibilidade, ciclos da vida e o superpoder de enxergar quem o mundo esquece
com Liz Consoni
Há um ano, a Liz pediu para gravar um episódio. Desta vez, ela voltou com livro na mão, chá gelado e uma opinião muito formada sobre qual livro seria. Paula havia escolhido um sobre felicidade. A Liz não gostou da escolha. E Paula, como toda boa anfitriã, respeitou a convidada.
Nesse episódio especial, Paula Consoni e Liz, agora com sete anos, leem juntas Os Invisíveis, de Tino Freitas e Odilon Moraes, um livro brasileiro todo em preto e branco que conta a história de um menino com um superpoder: ele conseguia ver as pessoas que o mundo tornava invisíveis. A mulher da limpeza, quem dorme no banco da praça, quem atende no trabalho e ninguém nota. E, num certo momento, ele mesmo.
A leitura é conduzida pela Liz tanto quanto pela Paula. São ela quem nomeia os invisíveis de cada página, quem percebe que a criança se sente invisível quando os pais não olham nos olhos, quem entende que o cachorro foi pro céu, e quem chega, no final, à conclusão mais bonita de todas: que o menino envelheceu e virou invisível, e que uma menina com o mesmo superpoder foi até ele.
O que o livro toca vai além da crítica social que Paula anuncia. Passa pelo ciclo da vida inteiro, infância, faculdade, amor, filhos, velhice, morte, e pelo quanto a empatia que a gente tinha quando criança vai sendo empurrada para o canto com o tempo.
Paula encerra pensando em voz alta que talvez as crianças ainda tenham esse superpoder justamente porque ainda não aprenderam a não ver. E que vale a pena, de vez em quando, deixar que elas nos ensinem de volta.
"Na vida real não existem pessoas invisíveis. Só existe quem mora no céu."
Liz
"Esse livro não é uma crítica. É senso de vida."
Liz