O que os hobbies revelam sobre a gente e por que cultivar fazeres sem utilidade é um ato de saúde
com Débora Quirino
Existe uma diferença sutil entre hábito e hobby. Hábito é escovar os dentes, fazer academia, dormir cedo. São coisas que a gente faz porque precisa, porque faz bem, porque estão na lista. Hobby é outra coisa. Hobby é aquilo que cabe na vida quando a vida deixa, e que a gente sente falta quando a vida não deixa.
Nesse episódio, Paula Consoni recebe Débora Quirino, estrategista digital no estúdio Ondina, leitora voraz, crocheteira, ex-macramezeira, ex-argila polimérica, ex-lettering, dona de um canal no YouTube sobre livros chamado 52 Livros, e alguém que pensa sobre hobbies com uma profundidade inesperada e completamente dela. Uma conversa que começa na definição do que é um hobby e vai longe, passando por pandemia, ansiedade, ócio, longevidade e a questão que ninguém pergunta quando sugere que você tenha um hobby: mas pra quê?
A pandemia aparece aqui como grande catalisador. Débora era uma pessoa da rua, do almoço coletivo, da troca presencial. Quando tudo fechou, ela precisou colocar a inquietude em algum lugar. Vieram o macramê, a argila, o crochê, o lettering, e o canal sobre livros que respira por aparelhos mas ainda vive, porque de vez em quando alguém manda mensagem num grupo perguntando quando vai ter vídeo novo.
O episódio toca em algo que vai além dos hobbies: a dificuldade de parar, de não fazer nada, de entender o ócio como parte saudável da vida e não como culpa. Débora fala com honestidade sobre ansiedade, sobre parar de fumar, sobre o marido que dorme às três da manhã enquanto ela acorda cedo no sábado e fica duas horas no sofá assistindo YouTube com café. E Paula, que se define como pessoa de cabeça sempre acelerada, reconhece que talvez o hobby mais necessário seja às vezes simplesmente deixar o tempo passar.
Um episódio para quem tem muitos hobbies, para quem não tem nenhum, e especialmente para quem sente culpa por qualquer um dos dois.
"Hobby é algo que te aliena do presente de uma forma positiva. Como o trauma te aliena de forma negativa, o hobby pode fazer o inverso."
Débora Quirino
"A primeira pergunta não deveria ser qual é o seu público. Deveria ser qual é a sua verdade. As pessoas se conectam com verdades, não com nichos."
Paula Consoni